Comércio Internacional: China e EUA não são as únicas alternativas para o Brasil

Parece que a pauta de destaque da semana foi a superação da China como maior destino das exportações brasileiras. Observado do plano político, o cenário é favorável ao Brasil. A aproximação econômica com os países periféricos na política global tem a intenção de gerar um eixo de desenvolvimento autônomo que independa das economias mais fortes (especialmente o G7). Nem é preciso lembrar que por décadas o Brasil (assim como diversos outros países) fora refém da economia norte-americana. Também não é preciso lembrar que durante essa época a aproximação político-ideológica produzida por essa dependência nos levou a repressão das correntes de esquerda e, posteriormente, a ditadura e sua manutenção.

Mas o ponto de vista defendido por Sandra Polónia Rios, da Folha de S. Paulo, não pode ser desconsiderado:

o aumento da participação da China tem contribuído para a deterioração da pauta de exportações brasileiras, uma vez que a demanda chinesa é concentrada em produtos básicos, que representam quase 80% do total vendido para aquele país. Já as vendas para os Estados Unidos são dominadas por produtos manufaturados, que representam mais de 70% das exportações para esse mercado. Esse fato contribui para a percepção de que não é bom ter a China como principal parceiro comercial.

Carlos Araújo já estava alertando para esse desequilíbrio desde outubro do ano passado. Mas é preciso pontuar aqui uma observação importante. A China em si não se constitui como o vilão às exportações manufaturadas brasileiras. Da mesma forma, os EUA não apresentam a ameaça de pareamento político-ideológico antes apresentado na década de 60. Estaria defendendo um ponto de vista absurdo caso seguisse nessa linha de raciocínio, visto que o atual presidente norte-americano é um negro, democrata e com inclinação às minorias (eufemismo para dizer que Obama tem mais sangue no braço esquerdo do que direito).

O problema com que nos deparamos é a concentração de fluxos comerciais. Não adianta uma política econômica para 2010 que reaproxime o Brasil dos EUA, pois em 2011 vamos passar por outros problemas. O equilíbrio a ser buscado não deve ser entre EUA e China, mas entre todos potenciais parceiros comerciais do Brasil: Argentina, Índia, África do Sul e etc. O que não podemos é entrar numa nova década com o pensamento do século anterior.

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